segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Para quê?


Sentada na cama, ouvindo a chuva a bater no vidro embaciado da janela e pensando no infinito contigo a meu lado, questiono-me sobre a razão de ser, de existir.

Para quê existir se os segundos de felicidade se esvaem por entre os dedos, sem sabermos sequer aquilo que acabámos de sentir?

Para quê pensar, se o pensamento mói os nossos neurónios, como se grãos de milho se tratassem?

Para quê agir, quando se pensa naquilo que se podia ter planeado com mais calma e saído na perfeição e acaba por se tornar numa grande embrulhada?

Para quê fingir, se a noite nos invade e traz de volta os fantasmas?

Para quê mentir, se toda a mentira é descoberta e faz castigar os falsos verdadeiros?

Para quê agredir, quando aquilo que mais magoa são palavras ou acções?

Para quê amar, quando não se consegue uma solução e essa anda de mãos dadas ao ódio?

Para quê odiar, se tudo é passageiro, mas deixa marcas que apenas nós conhecemos?

Para quê, querer sempre mais, quando o que temos é suficiente?

Para quê ir mais além?

Para quê sofrer?

Para quê sonhar?

Ilusões, fantasias, delírios instantâneos da nossa alma que fazem parte daquilo a que chamamos Vida, mas cujo sentido ninguém compreende.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As mil faces


Será destino? Será coincidência? Mais uma armadilha?

A ti mulher de mil farsas,

A ti mulher de mil caras,

A ti ser inútil,

A ti criatura de sentimentos horrendos,

A ti senhora psicose...

Que reservará o futuro?

Graças? Desgraças?

Castigo pela falsidade?

Profecia da mentira.

Tens sangue envenenado pela obsessão.

Sem escrúpulos cavas a tua própria sepultura.

Vitimizas a tua pessoa,

Quando o horrendo reside no teu interior.

Tu que pensas que amas.

Tu fazes a infelicidade daquele que te é próximo.

Sem vantagens, sem critérios, sem valores.

Amor para ti, criatura reles, não existe.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Day by day



Cabelo claro revolto, olhos brilhantes grandes, boca firme e voz doce.

Despiu o casaco, colocando-o no cabide mais próximo de si. Sob uma blusa branca, desenhava-se um busto voluptuoso, atraente, realçando uma fina cintura, ornada por um cinto negro largo que, por sua vez, prendia as calças que suavemente lhe moldavam os movimentos das pernas. Sentou-se à secretária e cruzou as pernas, mostrando os seus belos saltos altos que afiguravam um pé de princesa.
Do alto do seu escritório, por entre os vidros gotejados pela chuva do dia, podia observar o sol que, pouco a pouco tentava mostrar o seu sorriso perante as nuvens. Suspirou. Mais um dia.Puxou o longo cabelo encaracolado para o lado e, pensativa, começou a olhar para os documentos que tinha perante si. Lia, lia... mas não conseguia reter a informação. As ideias e pensamentos vagueavam e saltitavam como pipocas na sua cabeça. Tomavam forma nas folhas brancas à sua frente. Mostravam-lhe, em breves segundos, a vida passada por entre o seus dedos. As alegrias, as tristezas, os maus-estares de espírito.Todos os dias acordava com vontade de viver. De optar pela felicidade, de lutar por tais momentos pelos quais todos anseiam. Tentava, esforçava-se mas, cada vez mais, a vontade de estar só era maior.

As pessoas deambulavam de lado para lado, entrando e saindo, falando entre si, expressando olhares gulosos e esboçando sorrisos. Tudo isto ela observava. Ficava satisfeita quando percebia que sinceramente as pessoas podem ser felizes.

Mais uma vez olhou para a janela, um casal de pombos tinha-se instalado no parapeito. Observou-os. Pareciam funcionar bem em conjunto.A pomba fugia em passinhos pequenos e o pombo tentava captar a atenção dela. Sorriu. Incrível como tanto os animais, como os humanos podem ter tanto em comum, pensou.

Olhou para o relógio. Pousou os papéis e saiu.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(Des)ilusão


Suave e quente em simultâneo, o teu corpo perto do meu. O ondular enebriante dos lençóis provoca-me um sono contorcido, leve, irrequieto. Ouço o meu coração disparado, como um tiro no escuro, já perdido, distante. O Sono esvai-se. Escuto o silêncio. Silêncio irritante, enervante. Quero levantar-me. Não. Quero afinal descansar. Descansar num sono profundo, onde os sonhos tenham casa de nuvens e as emoções tenham aroma de gomas. Onde não seja necessário pensar. Onde não seja preciso sentir. Quero descansar numa cama feita de raios de lua, aquecida pelo sol. Pelos eternos amantes protegidos. Anseio pela tranquilidade crescida na água límpida e criada pela corrente do rio: enérgica, forte. Desejo a felicidade feita de paz, harmonia e sentimento.

Mas, meu Deus? Que digo eu?? Não existe nada. Os sonhos são sonhos, são a água que move o moinho. A força que move a vida e a transforma. Existe sentimento. Porém, serei eu capaz de o sentir? Serei eu pedra, faca, gume? Serei eu gelo que não dissolve com o calor? Que sou eu? Que criatura é esta? Capaz do gesto mais terno, mas também do mais pavoroso? Capaz de chorar por um animal ferido, mas imune ao sofrimento humano? Esse último olhar, essa transparência de um misto de raiva e revolta. Essa desilusão. As ilusões terminam. A vida é cruel.Todos ganham, mas também perdem. Faz-se e paga-se. Vive-se num mundo de injustiça. De desconfiança. De crueldade. Por favor, é urgente ensinar os homens de amanhã a viver. A cuidar da vida e adubá-la para dar frutos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sonhar


Fechar os olhos e sonhar com o impossível.
Deixar a saudade invadir o coração,
A mente, o corpo...
Sentir o coração tão apertado,
Tão desesperado...
Desesperado por ti...
Pela tua presença ao meu lado.
Dizer: "preciso de um beijo de amigo para me acalmar",
Não obter resposta.
Sensação de perda.
Sensação de vazio.
Eu quero e tu não deixas.
Deixa-me ficar contigo.
Deixa-me adormecer no teu peito.
Ouvir o rito do teu coração
Junto ao meu.
Ver o brilho dos teus olhos,
Acompanhar-te nos teus sonhos,
Viver junto a ti.
Se preciso, permanecerei em silêncio,
Não te afastes de mim.
Eu nada digo,
Apenas ouço.
Apenas sinto.
Quero saber de ti.
Abre um raio de luz para mim.
Deixa-me entrar no teu mundo...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Change


Numa vermelha flor, ao lado de uma gota de orvalho transparente, crescia uma pequena lagarta. A lagarta todos os dias abria os olhos para o sol e pensava qual seria o significado da sua existência. Percorria as pétalas macias da flor em busca de aventura, mas só encontrava as amigas abelhas que trabalhavam, arduamente, para manter a colmeia real. Conversava um pouco com elas sobre o que era o mundo, fora daquele ambiente tão pequeno em que crescera.Sabia que havia árvores, outros animais e humanos. Sentia curiosidade sobre tudo e queria saber sempre mais. O seu desejo mais profundo era poder voar para ver o mundo lá do alto e sentir o calor solar a afagar-lhe as asas. Poderia apreciar de perto o seu segredo...por quem se tinha apaixonado...o Homem.
Homem segredo, Homem escondido, Homem oculto, Homem na sombra...Ela apenas queria vê-lo à luz do dia. Observá-lo como se animal raro fosse.
Certa noite, acordou sobressaltada. Quando se mirou nas gotas de orvalho que repousavam a seu lado, viu umas belas asas azúis translúcidas atrás de si. Olhou novamente e viu as suas feições. Cabelo encaracolado de tom dourado, olhos verde água, iniciando um belo nariz aquilino e terminando numa boca rosada e carnuda.
Observou o seu corpo: formas voluptuosas a terminarem numas belas pernas esguias.
Não podia crer na transformação ocorrida! Podia finalmente andar, correr, voar! Ver o seu Segredo. Amar sem esconder. Viver e morrer realizada.
Voou... voou tão alto que encontrou uma nuvem onde pousar. Uma nuvem de tom alaranjado que a acolhia e fornecia a visão do mundo por si só.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Insomniae


Fechar os olhos e sentir a cabeça à volta... O tecto a rodar em redor do nosso pensamento, rodopiando como um carrocel em tempo de festa.O ardor nos olhos, o latejar do nosso coração na cabeça. A tortura de querer parar a nossa máquina durante umas horas e a impossibilidade de o fazer!A almofada muda de posição vezes sem conta, os lençóis atirados para trás com raiva. O chão calcorreado em passos lentos e nervosos, irritados. Sentir o corpo a fervilhar, sentir o sangue a percorrer vertiginosamente nas veias, nunca se cansando. Deitando e levantando do leito, quase como uma bola que salta entre as mãos de duas crianças.
Essas noites pregam-nos partidas. Trazem-nos fantasmas, sombras esquecidas, relembram medos e criam angústias. Passado, presente e futuro misturam-se indefinidamente, gerando uma bola de neve que descarrila numa avalanche.
Por fim, o cansaço vence-nos. Os primeiros raios de sol desvanecem as sombras, aniquilando-as.
Começamos finalmente a deixar as nossas janelas do espírito fecharem-se num sono curto, mas profundo, até que o despertador toca...

You can't change me


Atitude?
Carácter?
Personalidade?
Temperamento?
Feitio? Humor? Disposição?
Todos nascemos com características diferentes que nos obrigam a interagir com o meio envolvente, a fim de podermos moldar-nos e adaptar-nos à sociedade. Todavia, existem factos que nunca mudam. O nosso interior nunca muda. Aprendemos por erro e, por vezes, essa aprendizagem não nos faz ver a realidade. Aprendemos também por tentativas. Mas, quando essas tentativas vão consecutivamente sendo falhadas, apetece-nos desaparecer. Não conseguimos ser perfeitos. Nunca o iremos ser. O ser humano não é capaz de mudar, apenas aprende a adaptar-se ou a ocultar as suas imperfeições.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Tu me quittes


Je reviens chez moi.
Je regarde les murs,
L'ombre.
Je ne veux pas de lumière.
Je me cache à mon lit.
Je pense.
Je pense à toi.
Tes yeux qui me faisaient sentir
Joie de vivre.
Ta voix
Que j'écoutais avec douceur.
Tu me quittes
Et je pleure.
La douleur cachée dans mon coeur.
Le sentiment d'avoir perdu mon être.
Le sentiment de t'avoir perdu.
J'ai besoin de tes caresses.
Mais tu ne peux pas...
Je sais.
Tes yeux sont fermés pour le monde.
Ton coeur ne vit plus.
Toutefois,
Ton visage,
Tes faits,
Tes attitudes,
Font toujours partie de moi.
Tu me quittes.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Multidão


No meio multidão vagueia-se muitas vezes.
Desliza-se entre corpos e olhares curiosos.
Olha-se à volta e não se vê nada.
Apenas o palpitar do nosso coração nas mãos.
Tantas vezes perdido e esquecido.
Ao caminhar sente-se o contacto desconhecido.
A impessoalidade, a destreza do misterioso humano
Que habilmente vive a sua rotina.
Alguém a falar ao telefone,
Alguém a correr para atravessar a rua,
Outro a buzinar enervado no carro,
Outro a caminhar no passeio,
Outrém a olhar para nós através do vidro do autocarro.
Este é o hábito rotineiro do humano.
Mas... e quando temos o cuidado de observar?
A calma de uns cabelos grisalhos,
Um olhar brilhante perdido envelhecido,
Umas mãos sofridas.
Mãos que afagaram alguém,
Que amaram,
Trabalharam.
Uma tranquilidade incomum
Reflectida pela postura corporal.
A revolta no meu peito.
A incapacidade de dar brilho novamente àquele olhar.
De dar voz àquele rosto.
De estender a mão, ajudar,
Acarinhar...
Simplesmente, porque é somente um desconhecido.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Tempo


Um segundo passa e não deixa marca.

Um minuto passa e não deixa rasto.

Uma hora conta os minutos e os minutos contam os segundos...

Começa a demorar!

O dia decorre, deixando vestígios no ser.

A semana reúne os dias, forma um trajecto.

O mês conta quatro semanas, constrói um caminho.

O ano enumera os meses e transforma o caminho percorrido em Vida.


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Calor


Na areia do deserto sente-se o calor árido. Queima-nos a pele, queima-nos os pés... O corpo enche-se de gotículas para tentar arrefecer.

Na fresca neve sente-se o gelo a aquecer a pele, a queimar-nos. O corpo enche-se de marcas avermelhadas para se defender.

Na água quente do banho sente-se a pele a aumentar a temperatura... fica com vermelhidão para se libertar do calor.

Na paixão da mulher vê-se a vermelhidão nas faces rosadas de timidez.Sente-se o calor emanado pelo corpo quando aquece. Vêem-se as pequenas gotas a escorregar por todos os recantos...face...pescoço...braços...seios...ventre...pernas...

Calor sinal de paixão. Calor sinal de sensação. Calor sinal de bater do coração. Calor sinal de amor.

Calor que não arrefece, calor que não se esquece. Calor de exaustão, de sedução, de vida!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Lago


No meio da floresta escondia-se um lago. Na breve ondulação das suas águas, nadava um pequeno pato sozinho. Escuro, triste, calado, manso.

Todos os dias, via o sol espreitar por entre as folhas das árvores e pensava em como seria bom mergulhar na frescura do vento para sentir o calor solar. Era pequeno ainda. O tamanho das suas asas mal sustentava o peso do seu corpo. Cada vez que tentava o vôo, caía.

Ansiava por crescer, desejava conhecer o mundo e sair daquele canto do bosque. Queria viver, descobrir o amor e a serenidade.

Certo dia, uma pequena luz surgiu debaixo das leves ondas da água do lago. Sentiu fortalecer-se e caiu em sono profundo.

Acordou com um beijo do sol sem saber o que tinha acontecido. Olhou-se para o espelho da água e, em vez de um pato escuro e triste, encontrou um belo cisne preto. Penas sedosas e brilhantes como o negrume da noite atormentada pela névoa, adornavam-lhe o belo pescoço esguio. Esticou as asas e admirou a sua longitude. Balanceando pouco a pouco o seu corpo, ganhou lanço e... voou!

Voou sentindo a liberdade. Voou sem medos e sem desconfiança. Aprendeu a planar nas asas do vento.Aprendeu a aprender a essência da vida com garra desmedida.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Apaixonados


Um olhar que se cruza por acaso. Um sorriso velado. Um saltitar apressado do coração. Um tremor nas mãos. Um estremecer da cabeça aos pés.


Duas almas que se descobrem. Dois seres que se unificam. Duas pessoas que se conhecem. Duas mãos que se tocam. Duas bocas que se exploram.


Paixão nublada. Paixão ofuscante como o sol. Paixão brilhante como as estrelas. Paixão nos teus olhos. Paixão nos meus lábios. Paixão de novo.


Amor de palavras. Amor de atitudes. Amor concebido. Amor gerado. Amor realizado.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Serenidade


Olhar nos teus olhos... ver o mar à minha frente.

Sentir a tua mão na minha, agarrando-a para não fugir.

Sentir a tranquilidade na alma,

O teu corpo no meu,

O meu pensamento a ecoar no teu...

Sussurrando que te amo.

Amor esse que se transmite

Por palavras,

Actos,

Gestos,

Olhares,

Risos,

Toques.

Amor honesto.

Amor confiante.

Amor sereno.

O teu corpo no meu,

Pede-me para não te deixar.

Os teus olhos brilham,

Apenas por me olhar.

As tuas mãos agarram-me,

Para não me soltar.

A tua boca silenciosa,

Exprime o desejo de falar,

Palavras doces.

Sussurros na languidez da noite.

Murmúrios ao luar,

Palavras mudas de amor,

Que não se desvanecem.

Somente fortalecem.

Com o tempo,

Com a tranquilidade,

Com a serenidade...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Luar


O luar espelhado na água límpida do oceano,

Estrelas que se escondem atrás de nuvens,

Impacientes,

Secretas,

Eternas.

Dois vultos na areia,

Confundem-se na sombra das rochas.

Ouve-se o riso dos grãos de areia,

A escorregarem pelos corpos desnudos.

Vê-se a tranquilidade das tépidas ondas

A abraçarem aquele secreto segredo.

Cheira a maresia com aroma de paixão

Invadindo o ambiente,

Inebriando de vida aquele momento.

Momento de luar,

Momento de luz,

Momento de paz.

Os vultos transformaram-se num só,

Mescla explosiva no pequeno areal.

Explosão de ternuras,

De sentimentos,

De prazer.

De pensamentos sentidos,

De sentimentos pensados.

De amores esquecidos.

De amores fatigados.

De amores novos.

Da descoberta da realidade do sonho.


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vulto do passado


Caminhava na praia, observando as minhas pegadas. Sentindo a água fresca a acariciar-me a pele dourada. Quando a água recuava, na areia, deixava esqueletos desenhados que faziam o tempo voltar atrás.

Tempos de névoa, tempos de frieza gélida, tempos de chuva interior possessiva. Tempos também de alegria, de riso, de sol a invadir-me a alma, a iluminar-me.

Hoje, quando sinto a água gelada, sinto-a com as mãos. Refresco o meu rosto e corpo. Acordo. Vivo. Olho para o sol de frente e preparo-me para voar, tal como Ícaro, até lá. Mas serei mais simples, não perderei as asas, porque quem voa alto demais cai. Eu já caí.

Caí dentro de água suja que quase me asfixiou. A muito custo tentei manter-me à superfície. Alguém me deu a mão, salvou-me e ofereceu-me estas asas. Vou aproveitá-las e cuidá-las.

Agora caminho na praia, vejo as minhas pegadas. A água dá-me paz de espírito e renova a minha tranquilidade. Já não deixa esqueletos no areal, mas traços do futuro.

Olho para trás... que vejo eu?

Somente um vulto do passado esquecido.



sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Para ti AMIGA




Sabes o que é ser magoada.


Conheces o sofrimento.


Sabes o que é a instabilidade.


Conheces o isolamento.


Dentro de uma máscara diurna,


Esconde-se um ser frágil nocturno.


Temos mil máscaras.


Mil sorrisos


E mil significados também.


No interior de um riso resplandescente,


Pode estar a mais forte das dores.


No cair de uma lágrima,


Pode estar a extrema alegria.


Num capricho,


Pode estar um teste.


Num gesto,


Pode estar um sentimento.


Os teus olhos são os meus.


As minhas mãos são as tuas.


Guiemo-nos uma à outra.


Abramos um capítulo de vida em conjunto.


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

What a feeling!


Tira a tua roupa.

Dá-ma.

Beija-me,

No rosto,

Nos olhos,


No pescoço,
Nas mãos.

Dá-me a tua mão.

Pousa-a no meu peito.

Sente o bater do meu coração.

Sente a minha pele,

A minha textura.

Observa.

Beija-me.

Nos lábios.

Beijo leve, fugidio...

Beija-me.

Beijo intenso, molhado.

Faz o meu coração acordar.

Encher-se de paixão.

Faz me sentir.

Quero sentir,

Com intensidade.

Deixa-me sentir-te.

Quero a tua pele contra a minha.

Quero o teu cheiro.

Quero-te.

Eu entrego-te a minha roupa.

Vamos deixar as roupas velhas.

Vestir o sentimento.

Vamos deixar-nos invadir pelo momento.

Sente-me.

Perfuma-te comigo.

Vicia-te em mim.


Felicidade


Felicidade... onde andas tu?

Tu que foges de mim constantemente?

Tu que apenas me encantas com pequenos momentos?

A felicidade é feita de instantes,

Mas eu queria-os permanentes!

Pois... e depois?

Não havia discussão,

Para valorizar o outro!

Não havia remorso,

Para se tentar ser melhor!

Não havia erros,

Para se aprender a corrigi-los!

Não havia disputa entre casais,

Para fazerem amor depois!

Não havia palavras mal ditas,

Para se poder ter a oportunidade do perdão!

Não havia fim,

Para poder haver um recomeço!

Quem tem a oportunidade do recomeço,

Deverá saber aproveitá-la.

Deverá saboreá-la como se o último dia fosse.

Quem sabe viver,

Sabe ser feliz.

A felicidade está a um pequeno passo,

De ti,

De mim,

De nós.

Abramos os olhos.

Partilhemos os nossos instantes.



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Desconhecido


Um mistério sob forma humana,

Abriu a porta da minha curiosidade.

Simples, mas magnético.

Pouco revelador, mas atraente.

Imprime energia pelo olhar.

Olhar azul como o mar,

Olhar forte como a tempestade.

Imprime sensualidade,

Lábios de mel,

Doces e decididos.

Qual será o seu sabor?

Quem és tu meu selvagem desconhecido?

Quem és tu que com meiguice me fazes sonhar?

Quem és tu que com palavras ternas me confortas?

Quem és tu que me faz olhar para os segundos que faltam:

Para te alcançar?

Para tu fugires?

Para te perder de vista?

Para te esfumares?

Responde-me.

Game over


Sinto-te aqui comigo.

A tua presença.

O teu odor.

O teu ruído leve a andar.

O teu respirar no meu pescoço.

As tuas mãos nas minhas...

De repente acordo.

Estou sozinha.

Uma lágrima fugidia,

Teimosa,

Corre-me no rosto!

Não quero.

Quero ter amnésia.

Fazer de ti ilusão.

Construir a realidade.

Agarro as mãos de quem me ama,

Com força,
Como nunca,

E salvar-me-ei.

sábado, 2 de agosto de 2008

Enganada

Uma história de todos os dias... o Amor é fogo que arde sem se ver...Queima por dentro e consome-nos...deixa-nos em cinzas... mas há sempre o amanhã.

Aos meus amigos


Vocês são o sol dos meus dias sombrios,

Vocês são o arco-íris depois da chuvada,

A pérola escondida nas profundezas do mar,

O pôr do sol no horizonte.

O mar que enrola na areia.

Por vós fico feliz.

Por vós choro.

Por vós, faço tudo.

Peçam-me um sorriso e mostrá-lo-ei.

Peçam-me a roupa do corpo e entregá-la-ei.

Peçam-me um sacrifício e fá-lo-ei.

Sofrerei a vossa dor,

Viverei a vossa felicidade,

Partilharei gargalhadas e lágrimas convosco,

Far-vos-ei felizes com a minha felicidade.

É assim a amizade.

Um sentimento que está bem presente,

Mesmo quando estamos distantes.

Saber que se pode contar com um amigo,

Mesmo que não se fale com ele há muito.

Ajudar o amigo nas dificuldades,

Para que ele nos ajude nas nossas.

Partilhar momentos,

Quer de tristeza,

Quer de alegria.

Ir no carro,

A cantar,

A dançar,

A fazer palhaçadas.

Juntos sentimo-nos bem.

Sentimo-nos parte de uma família.

A nossa, a da Amizade.





Sono


O sono entorpece-me os sentidos,

Sinto-me livre,

Sem ter que pensar em nada.

Apenas sentindo

Tranquilidade,

Paz de espírito.

Quero dormir.

Adormecer nos meus sonhos.

Viver o amanhã.


quinta-feira, 31 de julho de 2008

Vício


Tu que te entranhas no meu corpo,

Tu que me seduzes com o olhar,

Tu que me embargas com a tua voz,

Tu que me arrepias com o teu toque.

Eu que não resisto,

Eu que cedo a cada passo,

Eu que me revolto,

Eu que não sei fugir.

Nós que nos entendemos,

Nós que nos desacordamos,

Nós inexistente.

Amanhã


O que é o Amanhã?

Será um novo dia?

Será que tudo se volta a repetir?

Ciclo vicioso?

Ou somos nós os viciosos?

Será que nós provocamos o amanhã?

Existe amanhã?

Será apenas uma prolongação do presente?

Um braço perdido do passado?

É futuro?

É destino?

Podemos mudá-lo?

Fazer o futuro com as minhas mãos?

Posso fazer o destino com as tuas?

Deixas-me?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Alvoroço


Gota a gota,

A cada chuvada,

A cada relâmpago esbatido

Na escuridão da noite,

Sinto o vazio.

O coração alvoraçado.

A trovoada a cair no meu peito.

A tempestade na minha cabeça.

Conheço-te há pouco.

Não te quero perder.

Não me faças ficar sozinha.

Não me abandones.

Não me deixes.

Sinto as gotas da chuva,

No meu rosto,

Como se lágrimas fossem.

No meu corpo,

Como se me dessem banho.

Um banho frio,

Gélido.

Vejo a minha pele branca,

Impura...

Leva-me contigo.

Deixa-me afogar na tempestade.

O meu corpo relampeja.

Estremeço com medo do incerto.

Com medo da solidão.

Conheço-te ou será que não?

Não és igual a mim?

Sente o que eu sinto.

Peço-te.

Tu lês-me.

Sem ti não quero enfrentar nada.

Vou deixar inundar-me pelas águas revoltas.

Não quero sentir nada.

Vou afogar os sentimentos.

Pensar dói.

Amar magoa.

Nada mais interessa.


Vida


Qual o significado da minha existência?

Qual o significado da vida?

Que faço aqui?

O que sou?

Quem sou?

Como sou?

Porque sou?

Não entendo...

O porquê de tropeçar nas pedras.

Sinto-me constantemente trôpega.

Sempre a tropeçar,

Sempre a cair.

Não tenho equilíbrio.

Estarei ébria de cegueira?

Serei assim tão mãos de manteiga

Que tudo me escorrega das mãos?

Qual é o meu significado?

Qual o meu sentido?

Nasce-se.

Vive-se.

Morre-se.

Sinto que já vivi demais.

Não quero ver mais pedras no meu caminho.

Não quero construir um castelo com elas.

Quero construir vida de nuvens.

Vida de sentidos, de amores,

De significados, de amizades,

De lutas, de aprendizagem,

De riso, de lágrimas,

De momentos, de instantes.

Quero sentir-me viva.

Quero sorrir, quando o sol me aquece.

Quero chorar, quando estiver feliz.

Quero gritar, quando for para dizer AMO-TE.

A toda a gente, em todo o lugar.

Sentir o coração a explodir.

Sentir a respiração acelerada.

Sentir as mãos levemente trémulas.

Sentir um calor na cara.

Sentir o brilho dos meus olhos.

Viver.


Teardrops


Lágrimas.

Quem nunca sentiu uma lágrima a escorregar pela face?

Lágrima de alegria,

Lágrima de tristeza,

Lágrima de solidão,

Lágrima de saudade,

Lágrima de mágoa,

Lágrima de riso,

Lágrima de emoção,

Lágrima de dor,

Lágrima de sensação?

São todas lágrimas.

Sabem a sal.

Mas os sentimentos são o sal da vida.

Neste instante correm-me lágrimas,

Suaves,

Pela face.

Quero-te bem.

Choro, porque choras.

Se calhar quero-te demais.

Lágrimas no coração,

Lágrimas nos meus olhos.

Não chores,

Não me mates com a tua tristeza.

Dar-te-ei felicidade, se deixares.

Sorverei as tuas lágrimas,

Transformá-las-ei em mel.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

De mãos dadas


Amiga... dá me a mão...

Ajuda-me a levantar!

Bate-me com palavras,

Mas ensina-me a viver.

Diz-me a verdade,

Cura-me da cegueira.

Dá-me luz.

Junta-te a mim.

Reinventa a minha vida com as tuas mãos.

Eu reinventarei a tua com as minhas.

Juntas, de mãos dadas...

domingo, 27 de julho de 2008

Sabes quem és


Acordo...

No ar, o teu perfume.

Na pele, o teu toque.

Nos meus lábios, o sabor dos teus.

No meu cabelo, a marca das tuas mãos macias.

No meu corpo, a tua invasão.

Toda eu sou tu.

Perdida nos lençóis.

Perdida na paixão que me inspiras.

Achada na vida que me dás a conhecer.

domingo, 29 de junho de 2008

Lembranças











Na tua pele morena vejo o meu olhar reflectido
Como se fosse hoje.
No olhar da lua vejo o teu sorriso,
Terno, doce.
No brilho das estrelas vejo os nossos corpos,
Quentes, frágeis.
No céu infinito desenham-se as nossas mãos,
Enleadas, presas.
Faz-se dia.
Na luz do sol,
O calor do nosso amor.
Na luz da noite,
A frieza da minha dor.

domingo, 9 de março de 2008

Sem palavras


Tal como o o rio corre para o mar e os mares formam o oceano, sinto o meu caminho a seguir... Saudades das tuas mãos a tocar-me, a percorrer os meus cabelos, o meu corpo... saudades do teu olhar azul, verde... triste, brilhante. Tu não sabes quem sou eu na realidade.... mas afinal o que é a realidade? um conjunto de factores feitos por nós que muitas vezes se diz estarem traçados pelo destino. Mas o meu Destino será feito por mim.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Solidão


Solidão, loneliness, solitude.... tantas palavras em tantos idiomas diferentes para significar o acto de nos sentirmos sós ou a vontade de nos querermos rodear de nada.

Quando queremos solidão, o nosso pensamento vagueia por entre o nada e o vazio... Deixamo-nos acolher pelas nossas quatro paredes e tentamos fechar os olhos para esquecer ideias ou emoções com que não sabemos lidar. O telefone toca, o telemóvel dá sinal de mensagem, ouve-se a campainha de casa.... pessoas em busca do nosso contacto... nós sem vontade de contactar com o mundo, bem pelo contrário, até esquecer que existimos.

Acontece frequentemente caminhar por entre multidões, atenta aos pormenores que me rodeiam. Pessoas que olham para mim, mas não me vêem, sítios mais ou menos conhecidos que me rodeiam.... de repente, é como se a imagem parasse e eu me perdesse nos meus pensamentos, sentisse o chão a fugir debaixo dos pés, uma leve tremura nas mãos... no meio de tanta gente e eu, paralisada, alertada pelos meus medos, por flashes de imagens de momentos passados que me estremecem, sentindo-me terrivelmente sozinha...

A solidão invade a vida tal como uma mosca entra pela janela de casa quando está aberta. Podemos ter muitas pessoas à nossa volta, demonstrando carinho por nós que, muitas vezes, não se consegue evitar aquela lágrima traçoeira que foge, quando a solidão nos encontra.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Mais um dia...




De manhã abrem-se os olhos a custo, sente-se o coração a palpitar no nosso ouvido... o som ecoa na almofada, que sensação...Mais um minuto debaixo dos lençóis a tentar esquecer que se trabalha...Coloca-se o travesseiro em cima da cabeça como se se quisesse abafar o dia e permanecer no ninho quente, convidativo.... mas não! Não! Que raiva!! A responsabilidade do trabalho que nos esquarteja muitas vezes e nos transforma em ser automáticos tem o dever de ser mais forte! Mas em que consiste a nossa vida afinal? Nasce-se, vive-se o dia a dia a pensar no amanhã que nunca chega, no dia melhor que pode surgir e, quando esse dia chega, morre-se!Não se aproveita mais um dia da nossa curta vida a festejar, por causa de tais preocupações que atabalhoam o nosso pensamento num constante fluir de aflições. Há que aproveitar os momentos, criar a nossa felicidade, saborear cada instante como se fosse o último, vislumbrar os flashes de harmonia, de paz interior que nos são oferecidos e despojados rapidamente do seu valor... Sinta quem VIVE!!