segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Para quê?


Sentada na cama, ouvindo a chuva a bater no vidro embaciado da janela e pensando no infinito contigo a meu lado, questiono-me sobre a razão de ser, de existir.

Para quê existir se os segundos de felicidade se esvaem por entre os dedos, sem sabermos sequer aquilo que acabámos de sentir?

Para quê pensar, se o pensamento mói os nossos neurónios, como se grãos de milho se tratassem?

Para quê agir, quando se pensa naquilo que se podia ter planeado com mais calma e saído na perfeição e acaba por se tornar numa grande embrulhada?

Para quê fingir, se a noite nos invade e traz de volta os fantasmas?

Para quê mentir, se toda a mentira é descoberta e faz castigar os falsos verdadeiros?

Para quê agredir, quando aquilo que mais magoa são palavras ou acções?

Para quê amar, quando não se consegue uma solução e essa anda de mãos dadas ao ódio?

Para quê odiar, se tudo é passageiro, mas deixa marcas que apenas nós conhecemos?

Para quê, querer sempre mais, quando o que temos é suficiente?

Para quê ir mais além?

Para quê sofrer?

Para quê sonhar?

Ilusões, fantasias, delírios instantâneos da nossa alma que fazem parte daquilo a que chamamos Vida, mas cujo sentido ninguém compreende.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As mil faces


Será destino? Será coincidência? Mais uma armadilha?

A ti mulher de mil farsas,

A ti mulher de mil caras,

A ti ser inútil,

A ti criatura de sentimentos horrendos,

A ti senhora psicose...

Que reservará o futuro?

Graças? Desgraças?

Castigo pela falsidade?

Profecia da mentira.

Tens sangue envenenado pela obsessão.

Sem escrúpulos cavas a tua própria sepultura.

Vitimizas a tua pessoa,

Quando o horrendo reside no teu interior.

Tu que pensas que amas.

Tu fazes a infelicidade daquele que te é próximo.

Sem vantagens, sem critérios, sem valores.

Amor para ti, criatura reles, não existe.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Day by day



Cabelo claro revolto, olhos brilhantes grandes, boca firme e voz doce.

Despiu o casaco, colocando-o no cabide mais próximo de si. Sob uma blusa branca, desenhava-se um busto voluptuoso, atraente, realçando uma fina cintura, ornada por um cinto negro largo que, por sua vez, prendia as calças que suavemente lhe moldavam os movimentos das pernas. Sentou-se à secretária e cruzou as pernas, mostrando os seus belos saltos altos que afiguravam um pé de princesa.
Do alto do seu escritório, por entre os vidros gotejados pela chuva do dia, podia observar o sol que, pouco a pouco tentava mostrar o seu sorriso perante as nuvens. Suspirou. Mais um dia.Puxou o longo cabelo encaracolado para o lado e, pensativa, começou a olhar para os documentos que tinha perante si. Lia, lia... mas não conseguia reter a informação. As ideias e pensamentos vagueavam e saltitavam como pipocas na sua cabeça. Tomavam forma nas folhas brancas à sua frente. Mostravam-lhe, em breves segundos, a vida passada por entre o seus dedos. As alegrias, as tristezas, os maus-estares de espírito.Todos os dias acordava com vontade de viver. De optar pela felicidade, de lutar por tais momentos pelos quais todos anseiam. Tentava, esforçava-se mas, cada vez mais, a vontade de estar só era maior.

As pessoas deambulavam de lado para lado, entrando e saindo, falando entre si, expressando olhares gulosos e esboçando sorrisos. Tudo isto ela observava. Ficava satisfeita quando percebia que sinceramente as pessoas podem ser felizes.

Mais uma vez olhou para a janela, um casal de pombos tinha-se instalado no parapeito. Observou-os. Pareciam funcionar bem em conjunto.A pomba fugia em passinhos pequenos e o pombo tentava captar a atenção dela. Sorriu. Incrível como tanto os animais, como os humanos podem ter tanto em comum, pensou.

Olhou para o relógio. Pousou os papéis e saiu.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(Des)ilusão


Suave e quente em simultâneo, o teu corpo perto do meu. O ondular enebriante dos lençóis provoca-me um sono contorcido, leve, irrequieto. Ouço o meu coração disparado, como um tiro no escuro, já perdido, distante. O Sono esvai-se. Escuto o silêncio. Silêncio irritante, enervante. Quero levantar-me. Não. Quero afinal descansar. Descansar num sono profundo, onde os sonhos tenham casa de nuvens e as emoções tenham aroma de gomas. Onde não seja necessário pensar. Onde não seja preciso sentir. Quero descansar numa cama feita de raios de lua, aquecida pelo sol. Pelos eternos amantes protegidos. Anseio pela tranquilidade crescida na água límpida e criada pela corrente do rio: enérgica, forte. Desejo a felicidade feita de paz, harmonia e sentimento.

Mas, meu Deus? Que digo eu?? Não existe nada. Os sonhos são sonhos, são a água que move o moinho. A força que move a vida e a transforma. Existe sentimento. Porém, serei eu capaz de o sentir? Serei eu pedra, faca, gume? Serei eu gelo que não dissolve com o calor? Que sou eu? Que criatura é esta? Capaz do gesto mais terno, mas também do mais pavoroso? Capaz de chorar por um animal ferido, mas imune ao sofrimento humano? Esse último olhar, essa transparência de um misto de raiva e revolta. Essa desilusão. As ilusões terminam. A vida é cruel.Todos ganham, mas também perdem. Faz-se e paga-se. Vive-se num mundo de injustiça. De desconfiança. De crueldade. Por favor, é urgente ensinar os homens de amanhã a viver. A cuidar da vida e adubá-la para dar frutos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sonhar


Fechar os olhos e sonhar com o impossível.
Deixar a saudade invadir o coração,
A mente, o corpo...
Sentir o coração tão apertado,
Tão desesperado...
Desesperado por ti...
Pela tua presença ao meu lado.
Dizer: "preciso de um beijo de amigo para me acalmar",
Não obter resposta.
Sensação de perda.
Sensação de vazio.
Eu quero e tu não deixas.
Deixa-me ficar contigo.
Deixa-me adormecer no teu peito.
Ouvir o rito do teu coração
Junto ao meu.
Ver o brilho dos teus olhos,
Acompanhar-te nos teus sonhos,
Viver junto a ti.
Se preciso, permanecerei em silêncio,
Não te afastes de mim.
Eu nada digo,
Apenas ouço.
Apenas sinto.
Quero saber de ti.
Abre um raio de luz para mim.
Deixa-me entrar no teu mundo...