quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Insomniae


Fechar os olhos e sentir a cabeça à volta... O tecto a rodar em redor do nosso pensamento, rodopiando como um carrocel em tempo de festa.O ardor nos olhos, o latejar do nosso coração na cabeça. A tortura de querer parar a nossa máquina durante umas horas e a impossibilidade de o fazer!A almofada muda de posição vezes sem conta, os lençóis atirados para trás com raiva. O chão calcorreado em passos lentos e nervosos, irritados. Sentir o corpo a fervilhar, sentir o sangue a percorrer vertiginosamente nas veias, nunca se cansando. Deitando e levantando do leito, quase como uma bola que salta entre as mãos de duas crianças.
Essas noites pregam-nos partidas. Trazem-nos fantasmas, sombras esquecidas, relembram medos e criam angústias. Passado, presente e futuro misturam-se indefinidamente, gerando uma bola de neve que descarrila numa avalanche.
Por fim, o cansaço vence-nos. Os primeiros raios de sol desvanecem as sombras, aniquilando-as.
Começamos finalmente a deixar as nossas janelas do espírito fecharem-se num sono curto, mas profundo, até que o despertador toca...

You can't change me


Atitude?
Carácter?
Personalidade?
Temperamento?
Feitio? Humor? Disposição?
Todos nascemos com características diferentes que nos obrigam a interagir com o meio envolvente, a fim de podermos moldar-nos e adaptar-nos à sociedade. Todavia, existem factos que nunca mudam. O nosso interior nunca muda. Aprendemos por erro e, por vezes, essa aprendizagem não nos faz ver a realidade. Aprendemos também por tentativas. Mas, quando essas tentativas vão consecutivamente sendo falhadas, apetece-nos desaparecer. Não conseguimos ser perfeitos. Nunca o iremos ser. O ser humano não é capaz de mudar, apenas aprende a adaptar-se ou a ocultar as suas imperfeições.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Tu me quittes


Je reviens chez moi.
Je regarde les murs,
L'ombre.
Je ne veux pas de lumière.
Je me cache à mon lit.
Je pense.
Je pense à toi.
Tes yeux qui me faisaient sentir
Joie de vivre.
Ta voix
Que j'écoutais avec douceur.
Tu me quittes
Et je pleure.
La douleur cachée dans mon coeur.
Le sentiment d'avoir perdu mon être.
Le sentiment de t'avoir perdu.
J'ai besoin de tes caresses.
Mais tu ne peux pas...
Je sais.
Tes yeux sont fermés pour le monde.
Ton coeur ne vit plus.
Toutefois,
Ton visage,
Tes faits,
Tes attitudes,
Font toujours partie de moi.
Tu me quittes.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Multidão


No meio multidão vagueia-se muitas vezes.
Desliza-se entre corpos e olhares curiosos.
Olha-se à volta e não se vê nada.
Apenas o palpitar do nosso coração nas mãos.
Tantas vezes perdido e esquecido.
Ao caminhar sente-se o contacto desconhecido.
A impessoalidade, a destreza do misterioso humano
Que habilmente vive a sua rotina.
Alguém a falar ao telefone,
Alguém a correr para atravessar a rua,
Outro a buzinar enervado no carro,
Outro a caminhar no passeio,
Outrém a olhar para nós através do vidro do autocarro.
Este é o hábito rotineiro do humano.
Mas... e quando temos o cuidado de observar?
A calma de uns cabelos grisalhos,
Um olhar brilhante perdido envelhecido,
Umas mãos sofridas.
Mãos que afagaram alguém,
Que amaram,
Trabalharam.
Uma tranquilidade incomum
Reflectida pela postura corporal.
A revolta no meu peito.
A incapacidade de dar brilho novamente àquele olhar.
De dar voz àquele rosto.
De estender a mão, ajudar,
Acarinhar...
Simplesmente, porque é somente um desconhecido.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Tempo


Um segundo passa e não deixa marca.

Um minuto passa e não deixa rasto.

Uma hora conta os minutos e os minutos contam os segundos...

Começa a demorar!

O dia decorre, deixando vestígios no ser.

A semana reúne os dias, forma um trajecto.

O mês conta quatro semanas, constrói um caminho.

O ano enumera os meses e transforma o caminho percorrido em Vida.