quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Calor


Na areia do deserto sente-se o calor árido. Queima-nos a pele, queima-nos os pés... O corpo enche-se de gotículas para tentar arrefecer.

Na fresca neve sente-se o gelo a aquecer a pele, a queimar-nos. O corpo enche-se de marcas avermelhadas para se defender.

Na água quente do banho sente-se a pele a aumentar a temperatura... fica com vermelhidão para se libertar do calor.

Na paixão da mulher vê-se a vermelhidão nas faces rosadas de timidez.Sente-se o calor emanado pelo corpo quando aquece. Vêem-se as pequenas gotas a escorregar por todos os recantos...face...pescoço...braços...seios...ventre...pernas...

Calor sinal de paixão. Calor sinal de sensação. Calor sinal de bater do coração. Calor sinal de amor.

Calor que não arrefece, calor que não se esquece. Calor de exaustão, de sedução, de vida!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Lago


No meio da floresta escondia-se um lago. Na breve ondulação das suas águas, nadava um pequeno pato sozinho. Escuro, triste, calado, manso.

Todos os dias, via o sol espreitar por entre as folhas das árvores e pensava em como seria bom mergulhar na frescura do vento para sentir o calor solar. Era pequeno ainda. O tamanho das suas asas mal sustentava o peso do seu corpo. Cada vez que tentava o vôo, caía.

Ansiava por crescer, desejava conhecer o mundo e sair daquele canto do bosque. Queria viver, descobrir o amor e a serenidade.

Certo dia, uma pequena luz surgiu debaixo das leves ondas da água do lago. Sentiu fortalecer-se e caiu em sono profundo.

Acordou com um beijo do sol sem saber o que tinha acontecido. Olhou-se para o espelho da água e, em vez de um pato escuro e triste, encontrou um belo cisne preto. Penas sedosas e brilhantes como o negrume da noite atormentada pela névoa, adornavam-lhe o belo pescoço esguio. Esticou as asas e admirou a sua longitude. Balanceando pouco a pouco o seu corpo, ganhou lanço e... voou!

Voou sentindo a liberdade. Voou sem medos e sem desconfiança. Aprendeu a planar nas asas do vento.Aprendeu a aprender a essência da vida com garra desmedida.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Apaixonados


Um olhar que se cruza por acaso. Um sorriso velado. Um saltitar apressado do coração. Um tremor nas mãos. Um estremecer da cabeça aos pés.


Duas almas que se descobrem. Dois seres que se unificam. Duas pessoas que se conhecem. Duas mãos que se tocam. Duas bocas que se exploram.


Paixão nublada. Paixão ofuscante como o sol. Paixão brilhante como as estrelas. Paixão nos teus olhos. Paixão nos meus lábios. Paixão de novo.


Amor de palavras. Amor de atitudes. Amor concebido. Amor gerado. Amor realizado.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Serenidade


Olhar nos teus olhos... ver o mar à minha frente.

Sentir a tua mão na minha, agarrando-a para não fugir.

Sentir a tranquilidade na alma,

O teu corpo no meu,

O meu pensamento a ecoar no teu...

Sussurrando que te amo.

Amor esse que se transmite

Por palavras,

Actos,

Gestos,

Olhares,

Risos,

Toques.

Amor honesto.

Amor confiante.

Amor sereno.

O teu corpo no meu,

Pede-me para não te deixar.

Os teus olhos brilham,

Apenas por me olhar.

As tuas mãos agarram-me,

Para não me soltar.

A tua boca silenciosa,

Exprime o desejo de falar,

Palavras doces.

Sussurros na languidez da noite.

Murmúrios ao luar,

Palavras mudas de amor,

Que não se desvanecem.

Somente fortalecem.

Com o tempo,

Com a tranquilidade,

Com a serenidade...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Luar


O luar espelhado na água límpida do oceano,

Estrelas que se escondem atrás de nuvens,

Impacientes,

Secretas,

Eternas.

Dois vultos na areia,

Confundem-se na sombra das rochas.

Ouve-se o riso dos grãos de areia,

A escorregarem pelos corpos desnudos.

Vê-se a tranquilidade das tépidas ondas

A abraçarem aquele secreto segredo.

Cheira a maresia com aroma de paixão

Invadindo o ambiente,

Inebriando de vida aquele momento.

Momento de luar,

Momento de luz,

Momento de paz.

Os vultos transformaram-se num só,

Mescla explosiva no pequeno areal.

Explosão de ternuras,

De sentimentos,

De prazer.

De pensamentos sentidos,

De sentimentos pensados.

De amores esquecidos.

De amores fatigados.

De amores novos.

Da descoberta da realidade do sonho.