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Sentado à beira-mar pensativo, saboreia a maresia como se se tratasse de um último beijo da vida. As ondas afagam-lhe os pés nus, enquanto o seu olhar é projectado para o horizonte, em busca de algum sinal do céu que indique uma orientação.As suas mãos grandes e fortes sentem, nos dedos, o areal fino que é apertado com vigor, quase desespero. A brisa ligeira revolve-lhe o cabelo suave que lhe esconde os vestígios de lágrimas na face.
Ao longe, escuta risos de crianças correndo no areal, brincando com castelos e cães que lhes estragam as obras de arte que tanto gosto lhes deram.Vê homens e mulheres já dominados pela paixão ou a tentar encetar uma conversa de uma tarde de Primavera, para conhecer alguém que procuram há tanto e encontrarem finalmente esse sentimento. Vazio, solidão... Tanto em redor e tão pouco no coração. Sentimentos ocultos, sentimentos perdidos na ilusão de querer viver um grande amor e desejar que seja eterno.
Questiona-se sobre a sua função na vida, sobre o facto de ter nascido, de viver... de sofrer. Porquê? Por que motivo as coisas têm de acontecer de determinada forma e não se consegue lidar ou viver mais com as mesmas no pensamento? A cada instante, a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia, a cada semana, a cada mês que passe... o pulsar de um coração agitado que não entra na conformidade. Que não encontra outro igual para poderem bater em conjunto, em simultâneo, em sintonia...Em vez disso, as cicatrizes alargam, retraem o coração, não deixando espaço para novas emoções, novas paixões, novos amores.... Mas novos amores? Não... Basta só um. Aquele que nos preencha.
Levantou-se de um salto e mergulhou no oceano.