sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ciclo vitalis


A esperança é uma pena que voa entre o arvoredo e que, por vezes, fica presa entre o verde das folhas. Que fazer para soltá-la? Que fazer para permitir que o seu voo continue e inunde aquelas almas que precisam de ter crença no desenrolar dos acontecimentos para ver que os sonhos também podem ser reais? Mas será a realidade uma mera ilusão? A ilusão será algum devaneio que nos leva a fugir à existência da verdade? A verdade, por sua vez, será um facto que pode ser comprovado fisicamente, em vez das costumeiras provas e argumentos? Os factos serão baseados em crenças?
Viver é demasiado complicado. Viver num mundo onde tudo é mesquinho. Onde todos se atropelam para chegar primeiro a cada meta, onde são capazes de até cortar a fita do final da meta com os próprios dentes para afirmarem a sua superioridade.
Não quero um mundo assim. Não quero ver tudo à minha volta desmoronar-se como castelos construídos na areia. Gostava de poder fazer como Pessoa e com cada pedra construir, um dia, um castelo. Em vez disso, surge a ideia esplêndida de atirar com todas essas pedras à água, vê-las afundarem-se e saber que não voltam mais.
Os castelos são feitos no ar e, mais dia, menos dia, vem uma nuvem carregada que desencadeia uma tempestade no copo de água que vamos ter que tomar, quando nos apercebermos que estamos aqui para viver e morrer.Sozinhos ou, os mais afortunados, acompanhados.