quinta-feira, 31 de julho de 2008

Vício


Tu que te entranhas no meu corpo,

Tu que me seduzes com o olhar,

Tu que me embargas com a tua voz,

Tu que me arrepias com o teu toque.

Eu que não resisto,

Eu que cedo a cada passo,

Eu que me revolto,

Eu que não sei fugir.

Nós que nos entendemos,

Nós que nos desacordamos,

Nós inexistente.

Amanhã


O que é o Amanhã?

Será um novo dia?

Será que tudo se volta a repetir?

Ciclo vicioso?

Ou somos nós os viciosos?

Será que nós provocamos o amanhã?

Existe amanhã?

Será apenas uma prolongação do presente?

Um braço perdido do passado?

É futuro?

É destino?

Podemos mudá-lo?

Fazer o futuro com as minhas mãos?

Posso fazer o destino com as tuas?

Deixas-me?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Alvoroço


Gota a gota,

A cada chuvada,

A cada relâmpago esbatido

Na escuridão da noite,

Sinto o vazio.

O coração alvoraçado.

A trovoada a cair no meu peito.

A tempestade na minha cabeça.

Conheço-te há pouco.

Não te quero perder.

Não me faças ficar sozinha.

Não me abandones.

Não me deixes.

Sinto as gotas da chuva,

No meu rosto,

Como se lágrimas fossem.

No meu corpo,

Como se me dessem banho.

Um banho frio,

Gélido.

Vejo a minha pele branca,

Impura...

Leva-me contigo.

Deixa-me afogar na tempestade.

O meu corpo relampeja.

Estremeço com medo do incerto.

Com medo da solidão.

Conheço-te ou será que não?

Não és igual a mim?

Sente o que eu sinto.

Peço-te.

Tu lês-me.

Sem ti não quero enfrentar nada.

Vou deixar inundar-me pelas águas revoltas.

Não quero sentir nada.

Vou afogar os sentimentos.

Pensar dói.

Amar magoa.

Nada mais interessa.


Vida


Qual o significado da minha existência?

Qual o significado da vida?

Que faço aqui?

O que sou?

Quem sou?

Como sou?

Porque sou?

Não entendo...

O porquê de tropeçar nas pedras.

Sinto-me constantemente trôpega.

Sempre a tropeçar,

Sempre a cair.

Não tenho equilíbrio.

Estarei ébria de cegueira?

Serei assim tão mãos de manteiga

Que tudo me escorrega das mãos?

Qual é o meu significado?

Qual o meu sentido?

Nasce-se.

Vive-se.

Morre-se.

Sinto que já vivi demais.

Não quero ver mais pedras no meu caminho.

Não quero construir um castelo com elas.

Quero construir vida de nuvens.

Vida de sentidos, de amores,

De significados, de amizades,

De lutas, de aprendizagem,

De riso, de lágrimas,

De momentos, de instantes.

Quero sentir-me viva.

Quero sorrir, quando o sol me aquece.

Quero chorar, quando estiver feliz.

Quero gritar, quando for para dizer AMO-TE.

A toda a gente, em todo o lugar.

Sentir o coração a explodir.

Sentir a respiração acelerada.

Sentir as mãos levemente trémulas.

Sentir um calor na cara.

Sentir o brilho dos meus olhos.

Viver.


Teardrops


Lágrimas.

Quem nunca sentiu uma lágrima a escorregar pela face?

Lágrima de alegria,

Lágrima de tristeza,

Lágrima de solidão,

Lágrima de saudade,

Lágrima de mágoa,

Lágrima de riso,

Lágrima de emoção,

Lágrima de dor,

Lágrima de sensação?

São todas lágrimas.

Sabem a sal.

Mas os sentimentos são o sal da vida.

Neste instante correm-me lágrimas,

Suaves,

Pela face.

Quero-te bem.

Choro, porque choras.

Se calhar quero-te demais.

Lágrimas no coração,

Lágrimas nos meus olhos.

Não chores,

Não me mates com a tua tristeza.

Dar-te-ei felicidade, se deixares.

Sorverei as tuas lágrimas,

Transformá-las-ei em mel.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

De mãos dadas


Amiga... dá me a mão...

Ajuda-me a levantar!

Bate-me com palavras,

Mas ensina-me a viver.

Diz-me a verdade,

Cura-me da cegueira.

Dá-me luz.

Junta-te a mim.

Reinventa a minha vida com as tuas mãos.

Eu reinventarei a tua com as minhas.

Juntas, de mãos dadas...

domingo, 27 de julho de 2008

Sabes quem és


Acordo...

No ar, o teu perfume.

Na pele, o teu toque.

Nos meus lábios, o sabor dos teus.

No meu cabelo, a marca das tuas mãos macias.

No meu corpo, a tua invasão.

Toda eu sou tu.

Perdida nos lençóis.

Perdida na paixão que me inspiras.

Achada na vida que me dás a conhecer.