quarta-feira, 30 de julho de 2008

Alvoroço


Gota a gota,

A cada chuvada,

A cada relâmpago esbatido

Na escuridão da noite,

Sinto o vazio.

O coração alvoraçado.

A trovoada a cair no meu peito.

A tempestade na minha cabeça.

Conheço-te há pouco.

Não te quero perder.

Não me faças ficar sozinha.

Não me abandones.

Não me deixes.

Sinto as gotas da chuva,

No meu rosto,

Como se lágrimas fossem.

No meu corpo,

Como se me dessem banho.

Um banho frio,

Gélido.

Vejo a minha pele branca,

Impura...

Leva-me contigo.

Deixa-me afogar na tempestade.

O meu corpo relampeja.

Estremeço com medo do incerto.

Com medo da solidão.

Conheço-te ou será que não?

Não és igual a mim?

Sente o que eu sinto.

Peço-te.

Tu lês-me.

Sem ti não quero enfrentar nada.

Vou deixar inundar-me pelas águas revoltas.

Não quero sentir nada.

Vou afogar os sentimentos.

Pensar dói.

Amar magoa.

Nada mais interessa.


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