segunda-feira, 1 de junho de 2009

Quero...


Quero gritar, mas sai apenas um grito mudo da alma.
Quero falar, mas sai apenas um sussurro mal entendido.
Quero tocar-te, mas apenas estendo as mãos.
Quero sentir-te, mas apenas te vejo ao longe.
Quero chorar, mas apenas sinto um ardor infernal.
Quero pensar, mas apenas sinto um vazio irracional.
Quero correr, mas apenas sinto as pernas a tremer.
Quero tudo, mas apenas nada tenho.

Um olhar...


No reflexo do teu olhar, observo o passado. Vê-se uma alma construída com esforço. Dia após dia, marca após marca. . .
...No teu olhar, o reflexo da realidade irreal que tanto tentas alcançar...
Na cor dos teus olhos, admira-se o fundo da tua alma.Um riso leve e nervoso, escondendo tesouros misteriosos. O ardor de lágrimas caídas que os fizeram afundar num deserto.
No brilho das tuas lágrimas, sente-se o toque dos pés nus que te acariciavam na cama quente. O palpitar do teu coração, quando te abraçavam. O tremer do teu peito, quando te sussurravam ao ouvido. A agonia de querer ter e apenas perder... perder constantemente... invariavelmente.
Nas tuas lágrimas saboreia-se a tua essência. Tentas deixá-la sob a areia do deserto em que perdeste os teus tesouros, porém a autenticidade nunca pode ser negada.
Segue a expressão do teu olhar. Ele guiar-te-á ao oásis em que a água é doce e composta por afectos.

Pensamento


Através de uma janela aberta, tal como as portas da minha alma, ouço o silêncio da noite. Penso nos dias de calor que trazem momentos de felicidade e bem estar inebriantes, embora efémeros. Tempo de paixões e emoções que nos fazem sentir que a vida afinal pode ser diferente. Existem contrariedades que podem ser definitivamente ultrapassadas, desilusões ocultadas, amarguras enterradas. É tempo de sorrir, deixar-nos levar pela brisa que corre, deixar que a lua cheia nos faça sonhar, deixar que uns lábios nos possam tocar, sentir um ombro amigo, uma mão que nos acarinha... Porque tudo tem razão de ser, tudo tem motivo para acontecer. O destino tem razões desconhecidas que nos levam a tomar decisões mais ou menos acertadas, para que possamos enncontrar um caminho, o nosso. Não necessariamente junto de alguém, ou com alguém. Tenho em crer que podemos ser felizes se soubermos aquilo que nos torna únicos, que nos dá liberdade e deixa-nos ser como somos, sem haver necessidade de usar uma máscara. Quem ama, ama sabendo e estando consciente que a perfeição não existe.