
Numa vermelha flor, ao lado de uma gota de orvalho transparente, crescia uma pequena lagarta. A lagarta todos os dias abria os olhos para o sol e pensava qual seria o significado da sua existência. Percorria as pétalas macias da flor em busca de aventura, mas só encontrava as amigas abelhas que trabalhavam, arduamente, para manter a colmeia real. Conversava um pouco com elas sobre o que era o mundo, fora daquele ambiente tão pequeno em que crescera.Sabia que havia árvores, outros animais e humanos. Sentia curiosidade sobre tudo e queria saber sempre mais. O seu desejo mais profundo era poder voar para ver o mundo lá do alto e sentir o calor solar a afagar-lhe as asas. Poderia apreciar de perto o seu segredo...por quem se tinha apaixonado...o Homem.
Homem segredo, Homem escondido, Homem oculto, Homem na sombra...Ela apenas queria vê-lo à luz do dia. Observá-lo como se animal raro fosse.
Certa noite, acordou sobressaltada. Quando se mirou nas gotas de orvalho que repousavam a seu lado, viu umas belas asas azúis translúcidas atrás de si. Olhou novamente e viu as suas feições. Cabelo encaracolado de tom dourado, olhos verde água, iniciando um belo nariz aquilino e terminando numa boca rosada e carnuda.
Observou o seu corpo: formas voluptuosas a terminarem numas belas pernas esguias.
Não podia crer na transformação ocorrida! Podia finalmente andar, correr, voar! Ver o seu Segredo. Amar sem esconder. Viver e morrer realizada.
Voou... voou tão alto que encontrou uma nuvem onde pousar. Uma nuvem de tom alaranjado que a acolhia e fornecia a visão do mundo por si só.