
No meio da floresta escondia-se um lago. Na breve ondulação das suas águas, nadava um pequeno pato sozinho. Escuro, triste, calado, manso.
Todos os dias, via o sol espreitar por entre as folhas das árvores e pensava em como seria bom mergulhar na frescura do vento para sentir o calor solar. Era pequeno ainda. O tamanho das suas asas mal sustentava o peso do seu corpo. Cada vez que tentava o vôo, caía.
Ansiava por crescer, desejava conhecer o mundo e sair daquele canto do bosque. Queria viver, descobrir o amor e a serenidade.
Certo dia, uma pequena luz surgiu debaixo das leves ondas da água do lago. Sentiu fortalecer-se e caiu em sono profundo.
Acordou com um beijo do sol sem saber o que tinha acontecido. Olhou-se para o espelho da água e, em vez de um pato escuro e triste, encontrou um belo cisne preto. Penas sedosas e brilhantes como o negrume da noite atormentada pela névoa, adornavam-lhe o belo pescoço esguio. Esticou as asas e admirou a sua longitude. Balanceando pouco a pouco o seu corpo, ganhou lanço e... voou!
Voou sentindo a liberdade. Voou sem medos e sem desconfiança. Aprendeu a planar nas asas do vento.Aprendeu a aprender a essência da vida com garra desmedida.
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