Fechar os olhos e sentir a cabeça à volta... O tecto a rodar em redor do nosso pensamento, rodopiando como um carrocel em tempo de festa.O ardor nos olhos, o latejar do nosso coração na cabeça. A tortura de querer parar a nossa máquina durante umas horas e a impossibilidade de o fazer!A almofada muda de posição vezes sem conta, os lençóis atirados para trás com raiva. O chão calcorreado em passos lentos e nervosos, irritados. Sentir o corpo a fervilhar, sentir o sangue a percorrer vertiginosamente nas veias, nunca se cansando. Deitando e levantando do leito, quase como uma bola que salta entre as mãos de duas crianças.
Essas noites pregam-nos partidas. Trazem-nos fantasmas, sombras esquecidas, relembram medos e criam angústias. Passado, presente e futuro misturam-se indefinidamente, gerando uma bola de neve que descarrila numa avalanche.
Por fim, o cansaço vence-nos. Os primeiros raios de sol desvanecem as sombras, aniquilando-as.
Começamos finalmente a deixar as nossas janelas do espírito fecharem-se num sono curto, mas profundo, até que o despertador toca...
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