sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Multidão


No meio multidão vagueia-se muitas vezes.
Desliza-se entre corpos e olhares curiosos.
Olha-se à volta e não se vê nada.
Apenas o palpitar do nosso coração nas mãos.
Tantas vezes perdido e esquecido.
Ao caminhar sente-se o contacto desconhecido.
A impessoalidade, a destreza do misterioso humano
Que habilmente vive a sua rotina.
Alguém a falar ao telefone,
Alguém a correr para atravessar a rua,
Outro a buzinar enervado no carro,
Outro a caminhar no passeio,
Outrém a olhar para nós através do vidro do autocarro.
Este é o hábito rotineiro do humano.
Mas... e quando temos o cuidado de observar?
A calma de uns cabelos grisalhos,
Um olhar brilhante perdido envelhecido,
Umas mãos sofridas.
Mãos que afagaram alguém,
Que amaram,
Trabalharam.
Uma tranquilidade incomum
Reflectida pela postura corporal.
A revolta no meu peito.
A incapacidade de dar brilho novamente àquele olhar.
De dar voz àquele rosto.
De estender a mão, ajudar,
Acarinhar...
Simplesmente, porque é somente um desconhecido.

Sem comentários: