
Sentada na cama, ouvindo a chuva a bater no vidro embaciado da janela e pensando no infinito contigo a meu lado, questiono-me sobre a razão de ser, de existir.
Para quê existir se os segundos de felicidade se esvaem por entre os dedos, sem sabermos sequer aquilo que acabámos de sentir?
Para quê pensar, se o pensamento mói os nossos neurónios, como se grãos de milho se tratassem?
Para quê agir, quando se pensa naquilo que se podia ter planeado com mais calma e saído na perfeição e acaba por se tornar numa grande embrulhada?
Para quê fingir, se a noite nos invade e traz de volta os fantasmas?
Para quê mentir, se toda a mentira é descoberta e faz castigar os falsos verdadeiros?
Para quê agredir, quando aquilo que mais magoa são palavras ou acções?
Para quê amar, quando não se consegue uma solução e essa anda de mãos dadas ao ódio?
Para quê odiar, se tudo é passageiro, mas deixa marcas que apenas nós conhecemos?
Para quê, querer sempre mais, quando o que temos é suficiente?
Para quê ir mais além?
Para quê sofrer?
Para quê sonhar?
Ilusões, fantasias, delírios instantâneos da nossa alma que fazem parte daquilo a que chamamos Vida, mas cujo sentido ninguém compreende.
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